domingo, 28 de julho de 2013
E-book "Give up the ghost"
Olá leitores o e-book de hoje é um romance irresistível e que vai fazer você não largar até terminar de ler .Espero que gostem. Boa Leitura!!!
Cass McKenna prefere a companhia dos fantasmas a dos vivos. Fantasmas não são complicados e dependentes, e eles sabem os segredos de todos ... E Cass adora saber os podres. Ela está na missão de explorar os segredos sujos de seus colegas de escola. Mas quando o vice-presidente do conselho estudantil descobre seu segredo, todo o esquema de Cass fica em perigo. Tim quer a ajuda dela para fazer contato com a sua recém falecida mãe e Cass relutantemente concorda. Quando Cass começa a ficar irresistivelmente ligada a vida de Tim, ela se surpreende ao perceber que ele não é tão ruim quanto pensava - e que ele precisa de mais ajuda do que qualquer um pode imaginar. E talvez esteja na hora de dar outra chance para os vivos.
E-book "Comer,Rezar e Amar"
Olá leitores estou um pouco sumida mais não abandonei o blog não e como prova disso vou criar uma nova pagina com as nossas series de livros favoritos mas por enquanto vou postar pra vocês o livro "Comer,rezar e amar"que é um livro super envolventes vão adorar e romântico que vocês vão adorar.Boa Leitura!!!

Quando completou 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo que uma mulher americana moderna, bem-educada e ambiciosa deveria querer um marido, uma casa de campo, uma carreira de sucesso. Mas não se sentia feliz: acabou pedindo divórcio e caindo em depressão. “Comer, Rezar, Amar” é o relato da autora sobre o ano que passou viajando ao redor do mundo em busca de sua recuperação pessoal. O livro ganhará uma versão para o cinema em 2008, com Julia Roberts no papel principal.

Quando completou 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo que uma mulher americana moderna, bem-educada e ambiciosa deveria querer um marido, uma casa de campo, uma carreira de sucesso. Mas não se sentia feliz: acabou pedindo divórcio e caindo em depressão. “Comer, Rezar, Amar” é o relato da autora sobre o ano que passou viajando ao redor do mundo em busca de sua recuperação pessoal. O livro ganhará uma versão para o cinema em 2008, com Julia Roberts no papel principal.
Existe sempre uma coisa ausente (CaioF.)
Existe sempre uma coisa Ausente - Caio F.
Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
E-book" Two * Way street"
Olá leitores hoje o nosso E-book conta uma estoria de amor pouco provável, que tem tudo pra dar errado porem esses jovens estão predestinados e ai começa essa estoria de amor.Espero que gostem!! Boa Leitura
Existem dois lados para todo relacionamento.
Esses são Jordan e Courtney, completamente apaixonados. É claro, eles eram um casal improvável. Mas aconteceu. E funcionou. Eles ainda estavam indo para a mesma universidade e cruzando o país em uma viajem juntos para a orientação. E então Jordan dar um fora em Courtney – por uma garota que ele conheceu na internet. É tão tarde para mudar os planos, por isso a viagem está de pé. Courtney está devastada, mas acredita que pode resistir a alguns dias. La La La – essa é Courtney fingindo não ligar. Mas inesperadamente. Jordan se importa. Muito. Ele possui segredos que não contou para Courtney. E esse foi o motivo pelo qual eles romperam, o porquê deles não poderem voltar juntos, e como, apesar de tudo, esse casal está destinado um para o outro.
Esses são Jordan e Courtney, completamente apaixonados. É claro, eles eram um casal improvável. Mas aconteceu. E funcionou. Eles ainda estavam indo para a mesma universidade e cruzando o país em uma viajem juntos para a orientação. E então Jordan dar um fora em Courtney – por uma garota que ele conheceu na internet. É tão tarde para mudar os planos, por isso a viagem está de pé. Courtney está devastada, mas acredita que pode resistir a alguns dias. La La La – essa é Courtney fingindo não ligar. Mas inesperadamente. Jordan se importa. Muito. Ele possui segredos que não contou para Courtney. E esse foi o motivo pelo qual eles romperam, o porquê deles não poderem voltar juntos, e como, apesar de tudo, esse casal está destinado um para o outro.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Homenagem a mamãe
Mãe
Hoje é um dia muito especial pois e o dia do seu aniversario saiba que te amo muitíssimo e nunca deixarei de te amar, sei que as vezes eu irrito um pouquinho mas eu te amo muito e estou super orgulhosa de ser sua filha, você é a pessoa em que me apoio quando estou mal e a pessoa com quem comemoro quando estou feliz. Eu quero te desejar nesse maravilhoso dia um aniversario repleto de alegria e muito amor
Te amo Mamãe.
Hoje é um dia muito especial pois e o dia do seu aniversario saiba que te amo muitíssimo e nunca deixarei de te amar, sei que as vezes eu irrito um pouquinho mas eu te amo muito e estou super orgulhosa de ser sua filha, você é a pessoa em que me apoio quando estou mal e a pessoa com quem comemoro quando estou feliz. Eu quero te desejar nesse maravilhoso dia um aniversario repleto de alegria e muito amor
Te amo Mamãe.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Engraçada
Engraçada
As roupas estão enfileiradinhas no armário fedorento. Eu trouxe minhas melhores roupas mas olho pra elas e vejo camisetas e calças e vestidos camuflados. Tenho 27 anos mas estou com dezoito, me alistando ao exército. Estou em um apartamento na rua Dias Ferreira, no Leblon. É coisa chique morar aqui, me avisam. Por incrível que pareça, foi o aluguel mais barato que arrumei, considerando que é de uma tia de uma amiga e que está tudo velho, rangendo e com um cheiro horroroso que não consigo decifrar. Algo entre o mofado o azedo e o morto.
A privada é marrom. Por que uma privada seria marrom? Quanto tempo eu vou ter que cagar nessa privada marrom? Se eu achar que estou morrendo, qual o melhor hospital do Rio de Janeiro? Pergunto isso para um amigo carioca antes de sair de São Paulo. Ele não entende direito a pergunta, mas porque está ocupado diz logo que tem um chamado “Copa d’or”. Tem laboratório Fleury no Rio? Meu amigo desliga.
Tenho saudades da minha casa. Eu morava em um apartamento pequeno e alugado em São Paulo. A oito quadras da minha mãe. Eu dividia a empregada com minha mãe e, toda terça e quinta, a empregada me trazia algumas comidinhas tipo quibe de forno ou uma quiche de alho poró. Eu visitava minha mãe toda segunda e domingo, dias em que eu almoçava comidinhas como salada de quinua com frango desfiado ou sopa com bastante caldo de carne- para os dias em que fico enjoada mas não posso ficar fraca. Eu me sentia uma super fodona vivendo a vida loucamente no meu pequeno apartamento, comprando minhas próprias camisinhas e meus próprios tomates, mas eu vivia numa porra de uma bolha.
Minha mãe, que veio comigo para o Rio me ajudar com as malas e com a arrumação, me diz “que delícia ter a sua idade e poder morar aqui e poder viver todas essas coisas”. Eu só consigo pensar que, pelos próximos infinitos meses, acordarei cinco da manhã pra fazer um milhão de flexões e me preparar para uma guerra sanguinolenta. Tchau família, vou servir ao país. Lavo a mão.
Amanhã começo uma oficina de roteiro na Globo. Na sequencia da oficina, eles vão me testar em um seriado de humor. A oficina mais o seriado devem dar uns dez meses morando no apartamento com a privada marrom. Talvez nove meses. Talvez um ano. Talvez na sequência eles me testem em outro seriado. Ou em um programa de auditório, o que eu não sei se gostaria. Ou em uma novela, o que eu acho que gostaria bastante. Talvez dure mais de dois anos. Talvez eu morra nesse apartamento, mais precisamente sentada nessa privada marrom. Mas eu também posso ir embora amanhã, se eu quiser. Ou agora.
Que desculpas eu poderia dar para ir embora agora? “Alô, oi, então, minha mãe está morrendo, não posso viver longe dela, ok?. Penso isso quando vejo minha mãe cantarolar e folhear uma revista. Ela me olha e sorri “vai, filha, toma banho”. Quem está morrendo sou eu. Está sol, eu vou escrever histórias pra televisão e emocionar milhões de brasileiros, eu vou morar a poucas quadras da praia. Eu deveria estar feliz. Eu estou nua, toda cortada, sangrando, e o leão me espera lá embaixo pra devorar meu coração. Ele vai chacoalhar suas madeixas douradas e esguichar meu sangue pelos ares. Lavo minhas mãos.
Eu trabalhei os últimos sete anos em agências de publicidade. A cada seis meses eu pedia demissão e ia pra outra e pra outra e pra outra. Assim que eu pegava todos os garotos e homens e tios e estagiários e donos e sócios e criativos e atendimentos bonitos com os quais eu poderia ter algum envolvimento, automaticamente o lugar ficava insuportável pra mim. Foi quando eu percebi que vender sabão não era exatamente divertido. Passar o rodo nos gatinhos fodidos de cabeça sim, era bem divertido. Tá, em algum momento eu achei divertido vender sabão. Eu virei noites e noites pra encontrar a forma mais profunda e engraçada e inteligente de vender sabão. Mas ninguém com um pouco de decência espiritual vê graça nisso muito tempo.
Estou tomando banho agora, pra me arrumar, pra ir para o primeiro dia da oficina de roteiro de humor da Globo. Serei testada e isso sempre me enlouquece. Eu nasci achando que ta óbvio o que eu sou então qualquer teste sempre me soa como algo estúpido. Não tá estampado na minha cara que sou misteriosa, profunda, louca, genial, gente finíssima e hilária? Não. Ok.
Preciso ser engraçadíssima nessa oficina. Preciso ser dez vezes mais engraçada do que eu fui em todos os 683 mil recreios de toda a minha infância e adolescência. Choro tomando banho. Começa com um choro pequeno, só algumas lágrimas tímidas. As lágrimas vão ficando gordas e gordas e gordas. Choro agora desesperadamente e dou pequenos murros no meu peito. Saio do banho antes de terminar o banho, porque estou passando mal de cólica intestinal. Deve ser colite nervosa. Não sei o que quer dizer isso, mas minha avó tinha então eu devo ter. Deixo a privada cheia de espuma de banho e ensopo o chão do banheiro. Não gosto desse banheiro de rodoviária de Cuiabá. Vou ter que morar nele por quanto tempo? Dez meses? Um ano? Que desculpa eu posso dar para ir embora hoje? Quero voltar pra minha casa. Quero voltar pra São Paulo. Minha cidade tem nome de santo. Ela é boazinha. Vou comprar enfeites e revistas e coisas com cheiro bom e almofadas coloridas. Toda pessoa sofrendo compra almofadas coloridas. Volto pro banho. Estou atrasada.
Seu sonho era escrever! Então agora toma esse banho, come alguma coisa, enfia uma roupa e vai. Com nove anos eu escrevi em meu diário “não vejo a hora de sentir dor”. Me assustei quando li isso, já adulta, mas lembrei exatamente o que eu estava sentindo naquele dia que escrevi isso. Eu sentia uma angustia profunda mas eu tinha uma vida ótima de criança cheia de brinquedos e amores e comidas. Então por que aquela angústia desgraçada? Eu queria logo ter um problema bem grande, algum motivo pra sofrer. Pra justificar meu sofrimento eu queria ter motivo pra sofrer. Meu avô, quando dava umas seis da tarde, ligava pra minha mãe no trabalho e avisava “a menina vai começar com as faltas de ar de novo, já falei que pode ser asma”. Dai minha avó se metia, e também ligava pra minha mãe no trabalho “é colite nervosa, são gases”. Dai o cardiologista achava que era o meu prolapso da válvula mitral, mas que isso não era nada. O gastro achava que era bactéria. E o alergologista achava que era alergia à produto de limpeza, por conta de minha rinite, mas que também não era nada. Minha mãe mandava meu avô tirar minha febre. Meu pai perguntava se eu tava vomitando. Eu nem tinha febre e nem vomitava. Mas por dentro eu tinha febre e vomitava e tinha asma e tinha bactérias e estava alérgica e estava tendo uma parada cardíaca. E lá fora estava sol e dava para eu ser feliz.
Coloco um vestido azul cheio de babados. Não uso muito azul e tenho horror a babados. Comprei essa merda de vestido porque o Leblon é cheio de boutiques de novas estilistas cariocas e esse vestido estava na vitrine de umas dessas boutiques de novas estilistas cariocas. Eu quis pertencer. Vai que por osmose me torno alguma coisa menos discrepante nessa cidade. Odeio esse vestido. Ele é a privada marrom em forma de vestido de menina fofa da Zona Sul. Coloco meu Iphone na caixa de som porque preciso ouvir Radiohead. Ele é caolho e diz frases tão dolorosamente bonitas e me acalma. Lavo a mão. Preciso comer alguma coisa porque estou com hipoglicemia.
Enquanto eu tomava banho, minha mãe fez uma massa rapidinha na cozinha. A pia da minha nova cozinha caindo aos pedaços está cheia de formigas e minha mãe me fala o nome de um negócio bom pra isso. Não guardo o nome porque isso é problema da empregada. Que empregada? A Maria ficou em São Paulo. E você, morando em outra cidade, fazendo um curso, sem trabalhar, não tem mais dinheiro nenhum. Você é a sua nova empregada agora. Então qual é o nome do remédio que mata formigas, mãe? O nome é detergente, minha mãe fala querendo chorar. Minha mãe acaba de perceber que eu tenho quatro anos de idade e que talvez não seja muito seguro me deixar abraçar o mundo. Preciso comer porque estou passando mal. Mas macarrão vira açúcar muito rápido e isso não é bom. Quando se é hipoglicêmica e se está precisando de açúcar não se pode ingerir açúcar nem muito rápido e nem em muita quantidade. Ao mesmo tempo, se eu comer pouco ou devagar, talvez eu passe mal daqui uma hora. Lá fora todas as pessoas do universo não complicam suas vidas e caminham decididas e fortes ao sol. Eu lavo as mãos.
Termino de comer e estou passando muito mal. Estou passando muito mal. Estou passando muito mal. Meus pensamentos entram no looping da crise de ansiedade e repetem em mantra as frases que me levam da realidade. Minha nuca travou daquele jeito que olhar pro lado é um sacrifício. Quando não consigo olhar pro lado sempre penso o quão egocêntrico é sofrer. Penso, penso, penso e penso. E se eu não for engraçada? E se eu chegar lá e vomitar em cima da mesa? E se eu tiver uma caganeira na privada do Projac e só no dia seguinte eles me encontrarem morta caída no chão do banheiro? Morta sem as calças e cagada e vomitada. Não seria engraçado. E morta eu definitivamente não conseguiria a vaga de roteirista ao final da oficina.
Minha mãe se despede e chama um taxi. Daqui a dez minutos, quando o taxi chegar e levar minha mãe pra São Paulo, eu serei oficialmente adulta e sozinha e fodida e sangrando e chamando os leões. Eu não tenho nenhum amigo no Rio. Eu não tenho nenhum parente no Rio. Eu não tenho nada no Rio, além de mim. E mim, coitada, é bem maluca. Minha mãe diz uma daquelas frases que não querem dizer nada, típicas de quem está nervosa, do tipo “vai lá e mostra pra eles” ou “vai lá e arrasa!” ou “um dia vai ter valido a pena”. Eu abraço minha mãe. Ela vai embora. Eu tiro o vestido azul. Eu lavo as mãos. Eu dou tchau da janela pra minha mãe.
Em menos de um mês eu mudei de profissão, emprego e cidade. Eu sinto o maior medo e a maior tristeza que já senti em toda a minha vida. Mas agora eu vou lá, mostrar que sou super engraçada.
terça-feira, 16 de julho de 2013
E-book " Muito mais que uma Princesa"
Olá leitores, imaginem a cena ela estava andando por uma livraria quando no alto de uma prateleira olhou e viu um livro lindo, pega ele nas mãos e começa a gritar. Foi mais ou menos assim que eu fiz ao ver esse livro ele tem tudo uma linda capa uma historia com muito romance e suspense eu adorei e procurei para vocês e achei o livro em E-book. Espero que gostem!!! Boa Leitura!!!
Filha ilegítima de um príncipe e de uma famosa cortesã, Lucia viveu confinada em escolas e conventos durante a maior da vida. Mas, essas experiências não a impediram de provocar um escândalo depois do outro. Exasperado, o príncipe Cesare de Bolgheri decide que a filha deveria se casar o quanto antes. Para arranjar o casamento, Sir Ian Moore, o mais respeitado diplomata britânico, é chamado às pressas. De volta à Inglaterra, ele promete a si mesmo que achará um marido para Lucia, mas logo vê que sua experiência de diplomata talvez não seja suficiente para quebrar a resistência da moça. Apesar de não faltarem candidatos, nenhum está à altura do espírito e da paixão de Lucia. Trata-se Uma história que surpreende o leitor do início ao fim.
Caio Fernando de Abreu
Caio Fernando de Abreu
Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
Recadinho
Olá leitores eu passei um tempinho sem postar nada no blog (Não que eu tenha esquecido) e eu sinto muito estava ocupadíssima e estava querendo por a leitura em dia então juntou tudo (minhas tarefas domesticas, minhas saídas , meus estudos e minha leituras ...) e virou uma grande bola de neve e ai fiquei um tempinho longe e essa é a semana do aniversario da minha mãe e vou ficar um pouco atarefada mas vou tentar dar uma passadinha todos os dias.
Agradeço a compreensão de todos .
Liliane Brito
Agradeço a compreensão de todos .
Liliane Brito
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Soneto CV
Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
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