sábado, 24 de agosto de 2013

Jacques Prévert

O terno e perigoso rosto do amor

O terno e perigoso
rosto do amor
me apareceu numa noite
depois de um dia muito comprido



Talvez fosse um arqueiro
com seu arco
ou ainda um músico
com sua harpa



Não me lembro mais
Nada mais sei
Tudo o que sei
é que ele me feriu
talvez com uma flecha
talvez com uma canção



Tudo o que sei
é que me feriu
feriu aqui no coração
e para sempre



Ardente muito ardente
ferida do amor.

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